E pronto... Lá fiz a minha segunda apresentação num evento. Estou contente. Neste post não vou fazer um resumo do evento, porque já existem alguns bastantes completos. Quero apenas referir que a demonstração está disponível em http://www.rbfigueira.net/pontonetpt/files/PontoNetPT_JoaoMiranda.zip.
Agora prefiro falar de um ponto de vista pessoal. A apresentação correu-me bastante bem, embora durante a manhã estivesse algo ansioso, porque sentia que não a tinha praticado como devia (embora a tivesse preparado como deve ser). Mas à hora do almoço já estava perfeitamente normal e depois tudo correu bem. Para mim, é uma enorme satisfação (é verdade, é uma satisfação quase infantil) participar neste tipo de coisas, conhecer pessoas novas, ajudar a divulgar assuntos que considero importantes. Por um lado fico todo inchado de orgulho, sobretudo porque nunca pensei vir a (poder) fazer estas coisas... mas quando as oportunidades surgem... agarram-se com ambas as mãos! Por outro... bem por outro é uma longa história que acho que encaixa bem aqui. Recostem-se bem.
Antes de acabar o curso, em 2000, já trabalhava em part-time, embora fossem projectos muito simples, quase projecto de faculdade. Quando o terminei, fui lançado às feras. Fui parar a um projecto muito grande, com dezenas de pessoas envolvidas, diversas empresas diferentes, clientes que não sabiam o que queriam e com a mania das grandezas. Só me apercebi deste último aspecto bastante mais tarde, fruto da minha quase total inexperiência. Ir parar a este projecto foi a melhor coisa que me podia ter acontecido, já perceberão porquê.
O primeiro sub-projecto que me atribuiram, foi a construção de uma gateway de pagamentos. Antes. Um ponto importante desta história é que quando lá cheguei senti-me um pouco inibido, olhava para os meus colegas (a maior parte dos quais não conhecia) e pensava: "aqui estou eu, verdinho, no meio de gente conhecedora". Resultado: inibi-me de fazer perguntas e de tentar esclarecer dúvidas. Voltando à gateway de pagamentos, fiquei responsável por construí-la. Primeiro passo: analisar os requisitos... requisitos? Quais requisitos? Não havia e eu não tive o discernimento de parar para discuti-los e esclarecê-los. Sabia que aquilo devia fazer pagamentos de cheques, cartão de crédito e mais umas coisas... comecei a bombar forte e feito, linha de código atrás de linha de código. De vez em quando, quando não conseguia mesmo avançar, lá perguntava uma coisita ou outra. Encurtando uma história longa, no fim tinha o pior código que alguma vez tinha feito. A gateway levou muito mais tempo do que devia ter levado e ainda hoje me pergunto como não deu problemas. Ponto muito importante: Alguém se preocupou com a porcaria que estava aquela gateway, mesmo quando eu comecei a alertar para isso? Nem pensar nisso. As respostas resumiam-se a: "Funciona, não funciona?". O assunto morria no momento.
Nesse projecto ainda fiz outras coisas, que correram melhor, porque também fui aprendendo com os meus erros (que não foram poucos) e os dos outros (que também não foram poucos). Mas o mais importante de tudo foi que me comecei a questionar como é que era possível que um projecto daquela envergadura (vários milhões de euros) fosse gerido com tamanho amadorismo, tamanha confusão, tamanho desconhecimento (incompetência)? Escusado será dizer que o projecto arrancou e passado poucos meses fechou, sobrevivendo apenas uma parte. Curiosamente essa parte foi TODA feita de novo, embora mais por razões financeiras do que técnicas.
Bom, mas comecei a questionar-me e a pensar: "Estivemos nós a matarmo-nos a trabalhar, feriados, fins-de-semana, 14/16 horas/dia, a troco de uma palmada nas costas e para fechar ao fim de uns meses???". A primeira decisão que tomei é que não voltava a fazer uma coisa daquelas naquelas condições e dizer isso à minha chefe. Afinal não sou nenhum burro de carga e não gosto de ser carne para canhão. Eu trabalho para uma empresa, sou profissional e trabalhar de borla prolongadamente em condições completamente idiotas (leia-se: o desastre estava à vista de todos) não é ser-se profissional: é ser-se estúpido. Mais, poderíamos dizer que era importante para a sobrevivência da empresa (e consequentemente para o meu emprego) mas como eu compreendi rapidamente (ao menos uma!), quando uma empresa é mal-gerida, é arrogante e trata mal os clientes o futuro não é brilhante, por muito que nos matemos a trabalhar. Tanto não é, que não foi, mas isso são contas de outro rosário. Em resumo, e antes de passar à segunda decisão, fazer esforços extra apenas quando vejo que fazem sentido; se eu visse que o esforço ia valer a pena, fazia sentido, era coerente, a história seria outra.
A segunda decisão foi começar a dedicar mais atenção à minha profissão. Mas... este post já vai longo e a segunda decisão também tem de ser discutida. Por isso, até já, no post seguinte... :)
Posted
21-10-2004 19:48
por
João Hugo Miranda