Nota prévia: Muito dos conceitos aqui descritos baseiam-se num livro muito interessante escrito por Mike Cohn e editado pela Addisson-Wesley com o título "User Stories Applied - for Agile Software Development". Os conceitos não são originais, mas este livro faz um muito bom trabalho na sua descrição.
No meu post anterior descrevi o conceito de user stories, mas acho que faltou realçar um ponto importante.
Toda a filosofia subjacente às metodologias ágeis exige comunicação, comunicação, comunicação. O cliente e a equipa de desenvolvimento têm de construir uma relação de confiança e abertura. Por vezes, como sabemos, isso é bastante complicado, mas é dever da equipa de desenvolvimento (e também do cliente, mas este não podemos controlar) fazer tudo ao seu alcance para que essa relação se estabeleça. Sobretudo não deve encarar o cliente como alguém que só está ali para dificultar a vida nem pensar que quanto mais longe ele estiver melhor. A atitude de "eu e o código", do programador-cowboy, é fatal.
A definição das histórias não deve ser feita pelo cliente e formalizada num documento que depois é entregue à equipa de desenvolvimento. Essa atitude mata a comunicação e dificulta (para não dizer que impede) que uma relação saudável e de cooperação seja estabelecida. Se for realmente necessário - para obedecer a normas ou exigências de certificação, por exemplo - as histórias podem ser formalizadas num documento, mas este deve ser sempre um produto da comunicação profícua entre cliente e equipa de desenvolvimento.
Aliás, os proponentes das user stories defendem que apenas a descrição e os testes de aceitação devem obrigatoriamente ser escritos algures (as hipóteses são muitas, mas a mais defendida é a do papel e lápis...). As conversações que permitem compreender melhor a história devem ser sobretudo orais, precisamente para obrigar à comunicação entre cliente e equipa de desenvolvimento. É claro que isto nem sempre é possível e como sempre, devemos adaptar as recomendações ao nosso contexto.
Posted
21-1-2006 22:49
por
João Hugo Miranda