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Mais sobre as User Stories (Histórias)
Nota prévia: Muito dos conceitos aqui descritos baseiam-se num livro muito interessante escrito por Mike Cohn e editado pela Addisson-Wesley com o título "User Stories Applied - for Agile Software Development". Os conceitos não são originais, mas este livro faz um muito bom trabalho na sua descrição.
 
No meu post anterior descrevi o conceito de user stories, mas acho que faltou realçar um ponto importante.
 
Toda a filosofia subjacente às metodologias ágeis exige comunicação, comunicação, comunicação. O cliente e a equipa de desenvolvimento têm de construir uma relação de confiança e abertura. Por vezes, como sabemos, isso é bastante complicado, mas é dever da equipa de desenvolvimento (e também do cliente, mas este não podemos controlar) fazer tudo ao seu alcance para que essa relação se estabeleça. Sobretudo não deve encarar o cliente como alguém que só está ali para dificultar a vida nem pensar que quanto mais longe ele estiver melhor. A atitude de "eu e o código", do programador-cowboy, é fatal.
 
A definição das histórias não deve ser feita pelo cliente e formalizada num documento que depois é entregue à equipa de desenvolvimento. Essa atitude mata a comunicação e dificulta (para não dizer que impede) que uma relação saudável e de cooperação seja estabelecida. Se for realmente necessário - para obedecer a normas ou exigências de certificação, por exemplo -  as histórias podem ser formalizadas num documento, mas este deve ser sempre um produto da comunicação profícua entre cliente e equipa de desenvolvimento.
 
Aliás, os proponentes das user stories defendem que apenas a descrição e os testes de aceitação devem obrigatoriamente ser escritos algures (as hipóteses são muitas, mas a mais defendida é a do papel e lápis...). As conversações que permitem compreender melhor a história devem ser sobretudo orais, precisamente para obrigar à comunicação entre cliente e equipa de desenvolvimento. É claro que isto nem sempre é possível e como sempre, devemos adaptar as recomendações ao nosso contexto.

Posted 21-1-2006 22:49 por João Hugo Miranda

Comments

Anonymous wrote re: Mais sobre as User Stories (Histórias)
on 1-7-2009 1:09
Sem duvida. Boa documentação e uma boa comunicação podem ditar o sucesso de um projecto.
Anonymous wrote re: Mais sobre as User Stories (Histórias)
on 1-7-2009 1:09
Obrigado pelo regresso. Aprecio imenso os seus textos, pois tenho dedicado os últimos tempos ao Extreme Programming, testes unitários e design patterns, etc, e os seus textos tem sido sempre agradáveis e interessantes, não só no conteúdo como na forma.

Relativamente às user stories e à comunicação ágil entre todos. Pois, o segredo está aí, muita comunicação e criar código rápidamente em pequenas unidades para o próprio cliente numa fase muito incial se aperceber que era aquilo que ele pretende, se vamos no caminho correcto. Se não, corrige-se a rota fácilmente.

Mas as dúvidas que outros leitores tiveram tem a sua razão de ser. Esta agilidade de processos e comunicação exige também uma dedicação entusiasmada do representante do cliente, o que nem sempre é fácil, ou pior, temo que em Portugal, nem sequer seja compreensível pelo mesmo.

Infelizmente em Portugal ainda existe uma grande ortodoxia quase protocolar.
Mas como o titulo do seu blogue diz, remar remar ...
Anonymous wrote re: Mais sobre as User Stories (Histórias)
on 1-7-2009 1:09
Fico contente por haver alguém que gosta de ler o que escrevo. ;)

Quanto às dúvidas acerca da atitude do cliente. Antes de mais, é absolutamente necessário que nós pratiquemos aquilo que defendemos. Como julgo já ter dito anteriormente, primeiro temos de ser nós a mudar para poder exigir o mesmo aos outros.

Por outro lado, é necessário um trabalho constante de motivação das pessoas, fazê-las ver que é possível obter melhores resultados desta forma.

Finalmente, temos de adaptar estas ideias ao nosso contexto particular. Temos de perceber qual é a melhor forma de as pôr em prática. Por vezes não podemos lidar com o cliente, mas com um representante deste... O livro que tenho vindo a referir nestes posts oferece diversas dicas para resolver este problema. Talvez um dia escreva sobre isso, mas não prometo nada. :)
Anonymous wrote re: Mais sobre as User Stories (Histórias)
on 2-7-2009 1:47
Sem duvida. Boa documentação e uma boa comunicação podem ditar o sucesso de um projecto.
Anonymous wrote re: Mais sobre as User Stories (Histórias)
on 2-7-2009 1:47
Obrigado pelo regresso. Aprecio imenso os seus textos, pois tenho dedicado os últimos tempos ao Extreme Programming, testes unitários e design patterns, etc, e os seus textos tem sido sempre agradáveis e interessantes, não só no conteúdo como na forma.

Relativamente às user stories e à comunicação ágil entre todos. Pois, o segredo está aí, muita comunicação e criar código rápidamente em pequenas unidades para o próprio cliente numa fase muito incial se aperceber que era aquilo que ele pretende, se vamos no caminho correcto. Se não, corrige-se a rota fácilmente.

Mas as dúvidas que outros leitores tiveram tem a sua razão de ser. Esta agilidade de processos e comunicação exige também uma dedicação entusiasmada do representante do cliente, o que nem sempre é fácil, ou pior, temo que em Portugal, nem sequer seja compreensível pelo mesmo.

Infelizmente em Portugal ainda existe uma grande ortodoxia quase protocolar.
Mas como o titulo do seu blogue diz, remar remar ...
Anonymous wrote re: Mais sobre as User Stories (Histórias)
on 2-7-2009 1:47
Fico contente por haver alguém que gosta de ler o que escrevo. ;)

Quanto às dúvidas acerca da atitude do cliente. Antes de mais, é absolutamente necessário que nós pratiquemos aquilo que defendemos. Como julgo já ter dito anteriormente, primeiro temos de ser nós a mudar para poder exigir o mesmo aos outros.

Por outro lado, é necessário um trabalho constante de motivação das pessoas, fazê-las ver que é possível obter melhores resultados desta forma.

Finalmente, temos de adaptar estas ideias ao nosso contexto particular. Temos de perceber qual é a melhor forma de as pôr em prática. Por vezes não podemos lidar com o cliente, mas com um representante deste... O livro que tenho vindo a referir nestes posts oferece diversas dicas para resolver este problema. Talvez um dia escreva sobre isso, mas não prometo nada. :)

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